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julho 31, 2009
Oito anos é muito tempo...
Por que será que em vésperas de eleições autárquicas o Dr. Carlos Encarnação aparece todos os dias a prometer fazer, a apresentar estudos e projectos, a disponibilizar-se para aproximar os cidadãos da autarquia? As respostas são óbvias. A má consciência inquieta e os eleitores dificilmente se deixam enganar três vezes. A verdade é que o Dr. Carlos Encarnação está há oito anos à frente dos destinos da Câmara, tempo suficiente, para fazer coisas que melhorassem a vida dos que vivem no concelho de Coimbra. Devia ter sido mais criativo, mais empreendedor, mais ambicioso, ter deixado obra. Mais de noventa por cento (90%) do que se fez nos últimos anos nesta cidade foram projectos iniciados pelo Dr. Manuel Machado. Esta é a herança que não deixa o Dr. Carlos Encarnação, há oito anos no poder, nem orgulhoso nem optimista em relação às próximas eleições. Por isso, desdobra-se em iniciativas, em promessas, em anúncios de última hora, em simpatia excessiva. O povo sabe desconfiar de tanta fartura. Apetece perguntar: O que andou a fazer, estes anos todos, a maioria de direita que governa a Câmara Municipal de Coimbra? As juras de amor a Coimbra, que constam nos cartazes espalhados pela cidade, ilustram o vazio de ideias, são uma espécie de placebo, está ao nível de uma campanha do ensino secundário, onde os adolescentes desafiam o erotismo e a política. Coimbra precisa de ambição, precisa de agigantar o seu património histórico, cultural e simbólico. Coimbra precisa de ter dimensão, de ser uma cidade moderna e de vanguarda. Infelizmente, a auto-estima dos que amam esta cidade tem ficado mais pobre desde que, há oito anos, o Dr. Carlos Encarnação assumiu a clausura na Praça 8 de Maio. Compreende-se o labirinto desta estratégia, compreende-se o desespero que devem sentir todos aqueles que acreditaram que, durante oito anos, era possível fazer alguma coisa de diferente, que deixasse uma boa memória. Na história destes oito anos constará apenas uma ponte pedonal sobre o rio. É muito pouco para tanto tempo, é pouquíssimo para quem prometeu o céu. A verdadeira obra visível destes oito anos é, pela negativa, a Polícia Municipal que, um pouco por toda a cidade, trata os automobilistas como criminosos, com uma arrogância inqualificável, usando o seu poder como catarse de grupo. Esta cidade anseia por uma lufada de ar fresco, que traga ambição aos jovens e aos empresários, que cultive a esperança numa modernidade onde a cultura científica e a criatividade possam devolver a este concelho a dimensão de referência nacional e internacional. Já não é possível acreditar naqueles que, em oito anos, não fizeram aquilo que prometeram, ou seja, “tirar Coimbra do marasmo”. São os mesmos que voltam a prometer o mesmo para os próximos quatro anos. Quem pode acreditar? Há uma onda de mudança que está a contagiar os cidadãos deste concelho que urgem uma alternância de poder, que querem um novo rumo para a cidade, que querem menos burocracia, que querem mais e melhor oferta cultural, que querem melhores transportes, que querem melhor urbanismo, que querem mais qualidade de vida. Nas ruas, nos cafés, nos espaços públicos, onde quer que estejamos ouvem-se queixas, sente-se o desconforto e a decepção de homens e mulheres que não calam o desejo de devolver a Coimbra uma nova liderança. Quem não fez o que devia em oito anos não pode prometer o paraíso. Em democracia o voto serve para censurar aqueles que não cumpriram. Em democracia o voto serve para eleger aqueles que se apresentam com projectos credíveis e alternativos. Esta cidade é merecedora de um voto de esperança, em nome de um futuro que importa ser construído com ideias mas, principalmente, com as pessoas.(in Diário de Coimbra)Publicado por António Vilhena às 07:00 PM | Comentários (0)
julho 28, 2009
Universidade de Havard
John Havard (1638), patrono da Universidade de Havard, definiu como regra de admissão: quando um estudante pudesse ler Cícero, ou qualquer outro autor clássico, além de falar e escrever latim em prosa ou verso, estaria apto a frequentar a Universidade.
Publicado por António Vilhena às 04:42 PM | Comentários (0)
julho 27, 2009
Manhã
Renovo a manhã com a brisa fresca, leio os jornais na companhia do néctar negro na chávena branca, oiço a “Cabra” lembrar que o tempo não pára, folheio os livros de Natália Correia, fixo-me nas palavras escritas dos rascunhos sobre a minha secretária e os desafios inadiáveis das anotações. Pela manhã chegam os sonhos do mundo, trazem uma rosa vermelha nos sentidos, esculpem discretamente as linhas que hão-de ensinar-me a paciência dos instantes iluminados.
Publicado por António Vilhena às 11:15 AM | Comentários (4)
julho 24, 2009
O adeus de Alegre
O adeus de Manuel Alegre da Assembleia da República é um momento triste mas, também, um sopro de exaltação, onde a poesia chega pela mão das palavras para aconchegar a intimidade da política. Quando um poeta empresta a arte da beleza aos valores ideológicos, o que fica é um arrebatamento que mistura a utopia com os sentidos que elevam as noites à condição de biombo das estrelas. Pela janela do gabinete do Poeta coa-se uma luz que ilumina os poemas e os silêncios, para que as musa cantem o Tejo, nas setes colinas de Lisboa, ao som da guitarra virtuosa de Carlos Paredes e da respiração da intemporal da arquitectura dos lugares.
Publicado por António Vilhena às 05:53 PM | Comentários (1)
julho 22, 2009
Frederico Lourenço, exílio em Coimbra.
O classicista Frederico Lourenço está de malas aviadas para Coimbra, mais propriamente para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi recentemente admitido como professor associado por unanimidade. Sinto-me eufórico com esta nova aquisição para o Centro de Estudos Clássicos, e por poder partilhar, em breve, do convívio de um dos mais notáveis classicistas da actualidade. Ele representa a filigrana da herança grego-latina. Coimbra tem destas coisas, reúne os deuses e os seus admiradores.
Publicado por António Vilhena às 12:09 PM | Comentários (1)
julho 16, 2009
RASGAR é muito feio!
1- A direita portuguesa atropela-se nos disparates. O PSD vive a síndrome da época estival, anda embeiçado com o resultado das eleições europeias, o seu último amor, mas os seus mais lúcidos ideólogos já perceberam o quanto pode ser efémero esse encanto. A seguir, vem a ressaca de uma noite de verão que ameaça deixar azia aos “setembristas larajinhas”, que andam a afiar as garras e a ensaiar a arrogância, caso vençam as próximas eleições. Esta direita mascarada de “lobo bom” pensa que o povo não tem memória, pensa que o povo esqueceu o desastre dos governos de Duração Barroso e de Santana Lopes. O povo não esqueceu que Manuela Ferreira Leite foi ministra das finanças e da educação, e que não deixou saudades nem aos seus “motoristas”. É preciso lembrar que a actual lider da direita quer rasgar o Serviço Nacional de Saúde, quer rasgar as políticas sociais que protegem os mais desfavorecidos, quer rasgar a Caixa Geral de Depósitos, privatizando-a, quer travar o desenvolvimento deste país. Esta direita conservadora é demagoga “e pensa que o povo não pensa e não sabe”, como escreveu Sophia de Mello Breyner. O “Estado mínimo” é a única proposta que o PSD oferece aos portugueses, ou seja, menos direitos, mais sacrifício, menos qualidade de vida, mais impostos, mais arrogância, menos autoridade. A direita não tem projecto mas tem inveja e sede de vingança, não perdoa ao PS a autoria das reformas, o investimento no ensino e na cultura científica, não perdoa a sustentabilidade da segurança social. Devemos lembrar que Manuela Ferreira Leite queria privatizá-la. Teria sido um terramoto de consequências incalculáveis. Portugal foi arrastado, tal como todo o mundo, na vaga de uma crise avassaladora, mas José Sócrates enfrentou-a, não desertou, não foi embora, não desistiu. Manuela Ferreira Leite revelou a sua face, disse que não tinha dito o que disse, disse que não rasgava depois de o ter repetido. Ao recuar, sem pudor, fê-lo com as desculpas do arrependido que vai atrás da bala porque não queria disparar. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa já lhe apontou o erro sem remissão. Agora que os portugueses têm que escolher o melhor para os seus filhos, a pergunta que se impõe é esta: O que traz o PDS, com a sua lider, de novo às nossas vidas? A resposta é óbvia. Nada que no passado não tivesse acontecido: mais arrogância, aumento da carga fiscal, autismo negocial e muitos tiques autoritários que o povo não pode esquecer. A máscara do actual Presidente da República, verdeira força de bloqueio à acção do governo, com vetos sucessivos e outros expedientes, são indicadores de uma estratégia pensada para agrupar a direita sob a sua batuta. Mas, às vezes, os seus músicos desafinam, rasgam as partituras, e a lider do PSD protagonizou uma dessas fífias provocando uma grande sapateada. Devem-lhe ter dito que isso não dava votos e que era impossível rasgar Portugal do mapa. Por isso, voltou atrás, mostrou a fragilidade dos seus argumentos e expôs-se irremediavelmente. O pior que aconteceu ao PSD foi ganhar as eleições europeias, os críticos da lider têm que esperar pelas próximas eleições, para num congresso extraordinário, escolherem o senhor que se segue. 2 - Em Coimbra há uma vaga de fundo, uma onda que se agiganta para devolver a esta cidade uma estratégia de modernidade, onde os cidadãos tenham o orgulho de querer viver. Com a candidatura do Professor Álvaro Seco, a Presidente de Câmara, e a Professora Helena Freitas, à Assembleia Municipal, o Partido Socialista redescobriu a motivação que lhe permite reencontrar-se com o seu eleitorado e pedir-lhe um crédito de confiança. Como disse Manuel Alegre, é preciso que haja um “sobressalto” no PS. Eu diria que é necessário que façamos destas eleições legislativas e autárquicas um apelo às nossas consciências, indignando-nos contra a indiferença. Urge unir esforços, urge pegar na bandeira do PS e com convicção trabalhar para fazer a diferença, de que só a esquerda democrática é capaz.(in Diário de Coimbra)Publicado por António Vilhena às 12:09 AM | Comentários (0)
julho 15, 2009
A noite...
Quando a noite chega traz os latidos dos cães que se apropriam dos quintais. É essa a sua função, guardar o escuro dos jardins, afugentar os visitantes indesejados, transmitir a ideia de que, dentro dos muros, há um mundo inexpugnável cujo primeiro obstáculo é o fiel amigo. Mas as aves nocturnas ensaiam, também, as suas gargantas na folhagem das árvores, sacodem as asas, espreitam o horizonte e descem a pique em busca da sua vítima. Há no regresso da noite uma outra vida que seduz os artistas, que envolve o seu universo criativo num anel de mistérios e de sombras, por isso, a arte esconde na sua luminosidade um mundo de trevas que se desoculta com a fonte galáctica das constelações.
Publicado por António Vilhena às 11:52 PM | Comentários (3)
julho 08, 2009
1ª edição d`Os Lusíadas
Sabia que na Universidade de Havard se encontram quatro exemplares da primeira edição de Os Lusíadas? Para além destas preciosidades ainda é possível ver cartas-autografadas de D. João III, a Chrónica de D. João Castro e a edição prínceps da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto(1614).
Publicado por António Vilhena às 05:10 PM | Comentários (1)
Plutarco
Acaba de sair mais um volume da Colecção de Autores Gregos e Latinos. Com tradução do grego, introdução e notas de Carlos A. Martins de Jesus, Diálogo sobre o Amor, Relatos de Amor, de Plutarco, constitui uma opção de leitura para férias. Trata-se de uma obra integrada no projecto “Plutarco e os fundamentos da identidade europeia” financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. A coordenação científica é da Doutora Maria do Céu Fialho e o Direcção Técnica da Colecção do Doutor Delfim Leão. Pode encontrar mais informações sobre este projecto em
http://bdigital.sib.uc.pt:8080/classicadigitalia/hand
Publicado por António Vilhena às 04:39 PM | Comentários (1)
julho 07, 2009
A luz na pupila preguiçosa
A luz entra na pupila preguiçosa, encosta-se como um turista acidental à pestana mais curva e espreita a oportunidade para, de mansinho, se instalar sob o alpendre que tudo alcança. Quando a tarde se demora é possível rodopiar com as andorinhas desenhando acrobaçias no céu. O Rei Édipo chega depois, vem ao Museu Nacional Machado de Castro,em Coimbra, vem pelo silêncio despertar as ansiedades dos homens, lembrar-lhes a sua condição frágil e efémera,vem dizer que a luz interior se abeira da humanidade como fonte iniciática onde se revela o lado mais oculto do homem, vem pela mão das palavras de Sófocles. Há neste ambiente o encanto do charme brasileiro, a docura da representação no agreste sentido dos diálogos. Vou derramar-me sob um céu de luar com vista para o rio Mondego. Talvez a chuva de estrelas escorra pela pupila como fogo de artifício
Publicado por António Vilhena às 07:22 PM | Comentários (2)
julho 06, 2009
Rei Édipo, em Coimbra
No âmbito do XI Festival Internacional de Teatro Clássico de Tema Clássico, a Escola Superior de Arte Dramática de Málaga apresenta a peça Rei Édipo, de Sófocles, no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, dia 7 de Julho de 2009, às 21.30 h./>
Adaptação e encenação: Andreu
Sonoplastia: Nieves Rodríguez
Luminotecnia: Almudena Jiménez
Vestuário: Pilar Jiménez e Andreu
Desenho e fotografia: Marta Ansino, Ernesto Rodríguez Artiyo e Pedro Ortega Carnicer;
Maquilhagem: Fran Rodríguez
Canto: José Manuel Padilla.
Elenco: Garcia, Francisco Suárez, Sergio Ocaña, Fran Martín, Pilar Jiménez, Abraham Martín, Sergio Ocaña, Marta Ansino, Alicia Orea, Marta Blanco, Erika Bleda, Maialen Martín, Mónica TejHer e Carmen Titos.
Imperdível!
Publicado por António Vilhena às 03:30 PM | Comentários (0)
Morreu o Mestre, Álvaro Miranda Santos.
Quando morre um Mestre, ou seja, um Professor que nos marcou, que nos ensinou outras maneiras de ver e olhar o mundo, podemos dizer que ficamos tristes, mas na verdade, a nossa tristeza significa muito mais, é uma avalanche de pedras sobre a memória. Morreu no dia 3 de Julho de 2009, com 84 anos, o meu Mestre, Professor Doutor Álvaro Miranda Santos, que foi docente na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, na Universidade de Coimbra. Uma semana antes, tinhamo-nos encontrado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, falou-me do seu tarbalho e perguntou-me como estava a minha tese. Desejou-me boa sorte, mas com o seu sorriso rasgado e simpatia, esse voto teve outra luminosidade. É difícil esquê-lo.
Devo-lhe a perpétua inquietação de querer sempre saber mais para além das definições feitas. Perdeu-se um homem bom, um Mestre intemporal.
Publicado por António Vilhena às 11:55 AM | Comentários (5)
julho 03, 2009
Maria João Pires e o sangue da nacionalidade
A intenção da pianista Maria João Pires em renunciar à nacionalidade portuguesa, por causa dos “coices e pontapés que tem recebido do Governo português”, deve fazer-nos pensar. Eu sei que o envolvimento da pianista no seu projecto de Belgais, Castelo Branco, foi uma voluntariosa aventura de paixão e de amor à música, mas foi também uma espécie de exílio de Ovídio nos confins do Império, onde restavam poucas dúvidas sobre o sucesso desse paraíso cultural. Maria joão Pires é uma pianista ímpar e não uma gestora. Normalmente as duas qualidades não passeiam juntas, por isso, eu continuo a acreditar na pianista genial, nas suas mãos dúcteis, na sua sensibilidade luminosa. Para onde quer que vá, leva nas veias o vento do sul, o sol e o azul do Infante D. Henrique, os versos de Pessoa e de Camões. A sua nacionalidade não está num papel, mas na alma que lhe nada nas veias.
Publicado por António Vilhena às 04:38 PM | Comentários (2)
Os dedos indicadores de Manuel Pinho
Os dedos indicadores de Manuel Pinho traíram o Ministro da Economia; os dedos do coração não suportaram o insulto de Bernardino(PCP); a paródia stalinista tem em alguém que nunca trabalhou, que não tem profissão, o supremo privilégio de ser a voz dos trabalhadores. É, por isso, que este país merece ter os deputados e os ministros que tem. Esta vergonhosa casta de desqualificados é indigna. A gota que fez transbordar a resiliência do Ministro é apenas uma amostra dessa estirpe que nos representa. Posso compreender o sufoco de alguém que se sente injustiçado, vilipendiado, mas não posso aceitar o gesto usado pelo governante. Para a história fica este episódio, que os hipócritas relevam, mas que se colará à pele do ex-Ministro da Economia, indelevelmente. Com deputados caceteiros e ministros assim, Portugal só pode ser a metáfora do Titanic.
Publicado por António Vilhena às 11:28 AM | Comentários (1)
julho 02, 2009
Silêncio e juizinho
Há partos difíceis que têm finais felizes. No próximo domingo, dia 5 de Julho, às 15 horas, todos os militantes responsáveis que pertencem à Comissão Política de Federação de Coimbra, do Partido Socialista, serão chamados a pronunciarem-se sobre o cabeça de lista do PS à Câmara Municipal de Coimbra. Para trás ficam equívocos, convidados desconvidados, independentes despeitados, militantes “traídos”, candidatos/ não candidatos, uma Comissão Política Concelhia órfã, muitos militantes zangados e um eleitorado atónito. Os protagonistas do momento são o Presidente da Federação, Victor Baptista, e o camarada Mário Ruivo. Ambos têm responsabilidades que não podem endossar nem adiar. Estes dois camaradas devem encontrar uma solução de verdadeira unidade que mobilize os militantes e que faça esquecer o passado recente que envolveu a escolha do candidato do PS. Ambos têm a obrigação de se agigantarem para lá das divergências e de interpretarem a delicadeza da circunstância devolvendo ao eleitorado do PS uma alternativa política credível, que seja capaz de mobilizar a cidade de Coimbra e as suas freguesias em torno de um projecto ganhador. A avocação pelo Presidente da Federação foi um acto de inteligência, o único instrumento político que podia salvar este processo de mergulhar na vergonha colectiva. Agora que tudo parece entrar na normalidade exige-se elevação e recato. Já se escreveu muito e mal, já se zangaram comadres e camaradas, já se convidaram e queimaram na praça pública nomes de pessoas que nem querem ouvir falar mais de eleições autárquicas, já se envenenaram relações pessoais escusadamente, já se trocaram insultos, já se excederam aqueles que tinham a obrigação de serem ponderados e reflectidos. Basta! Foi-se longe de mais, gastou-se imenso dinheiro em comunicações para tão pouco resultado. O nome que o Presidente da Federação escolher deve ser gerador de uma unidade autêntica, que tenha em conta os interesses do Partido, no pressuposto de que as diferentes sensibilidades se identificam com a sua escolha. Por isso, a difícil decisão de escolher um nome não pode ser um acto solitário, mas uma responsabilidade partilhada. Esta escolha dificilmente será a de um independente, depois de conhecida a declaração pública do Eng. João Vasco Ribeiro. Qualquer independente responsável não terá muita disponibilidade para aceitar um convite com receio de que a história se repita. Por isso, tudo indica que o candidato(a) do PS à Câmara de Coimbra seja um prestigiado(a) militante do Partido, que faça as pontes necessárias, que seja insensível ao “grupos de interesse”, que seja rigoroso(a) na suas escolhas para melhor servir Coimbra. Este episódio com o Eng. João Vasco Ribeiro deve ser mais esclarecido, devem aqueles camaradas, com mais responsabilidades no Secretariado da Concelhia, assumir as suas posições e defenderem apenas a verdade dos factos e, em última instância, retirarem as consequências políticas e pessoais. Ou seja, o PS deve ser visto como um Partido de gente que fala a verdade e, por isso, não estranho que Carlos Cidade se demita do secretariado. Ele sabe muitas coisas que pode esclarecer a bem da verdade e da lisura. Agora, apetece recomendar muito juizinho a todos os camaradas. Nesta recta final importa apelar ao bom-senso e à fibra daqueles que podem e devem fazer a diferença. Todos somos poucos para gerir o silêncio e unir esforços. Os protagonistas pela positiva são os que deixam memória, os que são citados e lembrados. Só a coerência honra as vitórias e as derrotas. A escolha do candidato, que for feita no próximo domingo, influenciará a capacidade de mobilização para as eleições legislativas. Apesar de não termos começado bem este processo, importa terminar com elevação, unidade e acreditar nos ideais e nos valores que sempre orientaram o PS. Sem crença e sem convicções não se sobrevive às crises existenciais. Estou convicto que o Presidente da Federação não deixará de assumir as suas responsabilidades. (in Diário de Coimbra)Publicado por António Vilhena às 10:48 AM | Comentários (0)
julho 01, 2009
1000 visitas
As Fúrias entraram na minha vida como se o sol espalhasse simpatia sobre a pele. Ao atingir 1000 visitas em três meses, criei uma comunidade de amigos e de leitores que de outra maneira seria impossível. Agradeço-vos a curiosidade.Publicado por António Vilhena às 11:28 PM | Comentários (2)