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outubro 23, 2009

Pela mão vamos lá.

Pegou-lhe pela mão. Ela levantou-se a custo, olhou em frente e, com dificuldade, iniciou a marcha manca até desaparecer ao fundo da praia, onde ainda cheirava intensamente a maresia. A tarde ameaçava choviscar, soturnamente as pessoas passeavam pensativas, olhavam as montras com discreta curiosidade, caminhando indiferentes à calçada de pedra basáltica salpicada de branco. As pernas pediam-lhe paciência, a idade e a vida dura que enfrentou tiraram-lhe a força, agora tudo o que tem pressa pode esperar. Ver a vida com olhar paciente é como se recomeçasse a aprendizagem dos primeiros passos. Há sempre um retorno que nos concede o privilégio de encontrar um passado e revisitá-lo na galeria dos retratos, onde se passeiam os nomes e os lugares que se colaram pele.

Publicado por António Vilhena às outubro 23, 2009 04:42 PM

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