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novembro 03, 2009
Jardim de Acasos
Misturava as folhas para construir um jardim de acasos. Coleccionava folhas, cuidava delas como a melhor especiaria, envernizava-as e, depois, com táctil sensibilidade colocava-as numa parede da sala de aula. A paciência era a sua grande qualidade. Os seus alunos viam crescer aquela espécie de "folhário", trepadeira com arte, que se espalha em todas as direcções, em busca de um sentido para o acaso. Às vezes, a desordem confere uma estética inefável que nos envolve nas baínhas e no galope da expansão.
Habituados a olhar a natureza com espanto e intimidade, os alunos associaram cada folha a uma palavra que despertasse a angústia de cada um. Ao longo dos dias seguintes, a espiral criativa deu lugar a um texto pós-modermo, cerzido com invisíveis janelas de luz, acessíveis apenas a quem foi capaz de se entregar à cumplicidade das emoções.Frente-a-frente duas paredes: uma de folhas, outra de palavras. Assim nasceu o Jardim de Acasos, onde as folhas e as palavras se enamoram à distância de uma sedução.
Publicado por António Vilhena às novembro 3, 2009 02:44 PM
Comentários
Mais uma vez o poder das palavras aliado ao poder da imagem....tenho tido uma dificuldade enorme em encontrar os seus livros nas livrarias....pode-me dizer onde os poderei adquirir? Muito obrigada.
Publicado por: Inês às novembro 10, 2009 01:20 PM
adorei.
Susana Nápoles
Publicado por: Susana Nápoles às novembro 3, 2009 09:43 PM